A Nova Delphi

Delphi, na Grécia Antiga, era um local distinto, egrégio, considerado o epicentro cultural do mundo ocidental. Incluía o Oráculo de Delfo, bastião de culto, onde as sacerdotisas píticas intermediavam a mensagem entre o divino e o mundano.

A Madeira, região ultraperiférica, divide em metades um mesmo ocidente. As Américas, de um lado, a Europa, de outro. Aqui reside o paradoxo. A periferia é, por definição, uma vizinhança limítrofe, lateral, não esta geografia de meio a sorver duas margens. Sediamos na ilha este conceito, Nova Delphi: a forqueadura atlântica de um ocidente instruído e edificante, decorrente da nossa paixão pelo objecto livro. Entendemo-lo como veículo privilegiado para o conhecimento e é nossa convicção que o livro é, por excelência, espaço de consciência crítica e de esperança. Possui o dom de promover o raciocínio, que é também capacidade para descodificar e reinterpretar a realidade passada, presente e, de forma muitas vezes clarividente, futura. Assim, propomo-nos levar a cabo alguns objectivos que julgamos ímpares no panorama actual. Almejamos robustecer as nossas edições não só com o texto do autor contemplado, mas também com prefácios e anotações de especialistas considerados por nós fulcrais para uma leitura atenta das obras em questão.

A esfinge, figura mitológica com corpo de leão, asas de ave de rapina e rosto de mulher que, propondo enigmas, devorava todos aqueles que não os decifrassem, ateia o repto. Desafiamos os leitores a desvelar os enigmas que surgem em cada uma das obras que apresentamos. A leitura promove o pensamento, instiga a imaginação e conduz, pela via analítica, ao conhecimento e à sabedoria.